
Não se fala em outra coisa: Ronaldo no Corinthians. Dizem que a notícia até ultrapassou o mundo esportivo, onde já teria inclusive ofuscado a conquista do tricampeonato consecutivo pelo São Paulo, primeiro clube a ganhar SEIS vezes o Campeonato Brasileiro e sagrar-se o maior campeão da história.
É compreensível, perfeitamente compreensível. O brasileiro é um povo que se solidariza facilmente com a tragédia alheia e Ronaldo, ídolo máximo de uma nação durante toda uma geração, é um rapaz carismático, obstinado, que arrebanha a atenção de multidões quando é assunto.
Não foram poucas as ocasiões em que todo o Brasil e o mundo acompanharam chocados algum fato extremo na vida do atleta.
Por duas vezes sua carreira se viu ameaçada por problemas no joelho. Muitos disseram que Ronaldo havia acabado para o futebol. Todos se lembram das cenas dramáticas de seu doloroso choro caído em campo, da luta para se recuperar, dos quilos ganhos por não estar se exercitando, virando alvo de chacotas às centenas. Ronalducho, diziam seus detratores.
Quem não se lembra da final da Copa de 1998 onde, minutos antes de entrar em campo, o mundo descobriu perplexo que o grande astro brasileiro teve problemas sérios na noite anterior, convulsões que o levaram a não jogar o futebol necessário para ganhar o título e que abalaram todo o time (ok, a França tinha Zidane)? Daquela final saiu talvez o mais cruel apelido que um atleta pode ganhar: amarelo.
Casamentos e relacionamentos arruinados e confusos também não faltaram à agitada vida do rapaz. A sorte parecia brincar com o pobre menino rico nascido no subúrbio carioca.
Sua vida oscilava, com altos e baixos tanto na carreira quanto na vida pessoal. Altos como aconteceu quatro anos depois da Copa na França. Numa superação inacreditável, Ronaldo voltou a uma Copa do Mundo e comandou a vitória da seleção brasileira, uma conquista desacreditada e incrível, com o atacante marcando dois na final contra uma Alemanha impotente diante de um craque brilhante. O mundo assistia fascinado ao retorno de Ronaldo, o Fenômeno.
Mas o destino, maroto, quis que mais uma vez uma tragédia acontecesse. Novamente o joelho colocou Ronaldo de molho. Novamente alguns dígitos somaram-se ao seu peso e a imprensa mundial não perdoou. Fotos de um Ronaldo sem camisa ostentando uma barriga incompatível com um atleta de alto nível estamparam as capas de jornais de todo o mundo. Ronaldo foi mais uma vez ridicularizado globalmente. Parecia um melancólico fim para quem poderia ter sido um gênio de sua era.
Mas o pior ainda estava por acontecer.
Sem jogar há meses, numa noite de comemoração pela conquista de um título de seu clube do coração, por quem um Ronaldo apaixonado luta para ter a oportunidade de jogar, o atleta estrapolou no consumo de álcool e protagonizou um dos escândalos mais bizarros de que se tem notícia no mundo esportivo. Um Ronaldo completamente fora de si amanheceu numa delegacia carioca, numa pândega envolvendo três travestis, um motel e uma certa quantidade de cocaína, o que rapidamente fez desmoronar o que até então parecia intacto diante de tantas desgraças: sua moral e reputação.
O craque rapidamente virou piada no mundo, parecendo que dessa vez, sim, havia chegado ao fundo do poço. Muita gente veio em sua defesa, pois não se abandona um ídolo assim, perdido e desorientado a ponto de dar vexames desta magnitude. Nessa hora a história e a trajetória do craque merecem e têm que ser lembradas.
Mas, inacreditavelmente, e incrível como tudo o que acontece na vida do atleta, o pior ainda estava por vir.
Em 12 de dezembro de 2008 Ronaldo assina contrato com o Corinthians. Desorientado, o craque chegou a dizer que “o Corinthians apareceu como uma luz no fim do túnel”, mostrando quão profundo é o abismo de onde Ronaldo tenta sair.
Joelho bichado, relacionamentos complicados, amarelite na Copa, travestis e cocaína, Corinthians. E a gente se solidariza e pergunta: qual será a próxima tragédia na vida de Ronaldo?